BIO

Arquiteto e fotógrafo, José Roberto Bassul nasceu no Rio de Janeiro e vive em Brasília. Sua fotografia volta-se para a arquitetura, a paisagem urbana e para aspectos contemporâneos da vida nas cidades. O curador e crítico de arte Paulo Herkenhoff define seu trabalho como "o regime ótico do sutil". Recebeu diversos prêmios nacionais e internacionais, entre os quais o 1º lugar no 10º Prix Photo AF 2021, o Prêmio América Latina do FotoRio 2020, o de Fotolivro do Ano no Moscow International Foto Awards – MIFA 2020, o 1° lugar em arquitetura no International Photography Awards – IPA 2018 e 2021 e medalhas de ouro no Prix de la Photographie Paris – PX3 2017, 2018 e 2020. Publicado em revistas especializadas no Brasil, França, EUA, Inglaterra, México, Argentina, Itália e Espanha, seu trabalho tem sido frequentemente exposto em festivais, galerias e museus, em cinco mostras individuais e dezenas de exposições coletivas no Brasil e no exterior. Publicou os fotolivros Paisagem Concretista (2018), já esgotado, e Sobre Quase Nada (2020). Tem obras em importantes coleções particulares e nos acervos do Museu Nacional da República, em Brasília, do MAM – Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (coleção Joaquim Paiva), do MAR – Museu de Arte do Rio de Janeiro, da Coleção Diário Contemporâneo de Fotografia, em Belém e do Museu da Fotografia, em Fortaleza.

Architect and photographer, José Roberto Bassul was born in Rio de Janeiro and lives in Brasília. His photography turns to architecture, the cityscape and contemporary aspects of urban life. The curator and art critic Paulo Herkenhoff defines his work as "the optical regime of subtlety". He has received several national and international awards, including 1st place at the 10th Prix Photo AF 2021, the Latin America Prize at FotoRio 2020, Book Photographer of the Year at the Moscow International Foto Awards – MIFA 2020, 1st place at the International Photography Awards – IPA 2018 and 2021, and Gold Awards at the Prix de la Photographie Paris - PX3 2017, 2018 and 2020. Published in specialized magazines in Brazil, France, USA, England, Mexico, Argentina, Italy and Spain, his works has often been exposed in festivals, galleries and museums, in five solo shows and dozen of group exhibitions in Brazil and abroad. He published the photobooks Concretist Cityscape (2018), which is already sold out, and On Barely Nothing (2020). He has works in important private collections, and in the collections of the National Museum of the Republic in Brasilia, the Museum of Modern Art of Rio de Janeiro – MAM (Joaquim Paiva collection), the Art Museum of Rio de Janeiro – MAR, the Diário Contemporâneo Photography Collection in Belem and the Museum of Photography in Fortaleza.

SOBRE O QUE FAÇO | ABOUT WHAT I DO

A fotografia não é um espelho do mundo. É uma expressão em si mesma.

Fotógrafo e arquiteto, fotografo a arquitetura na tentativa de desenhar pensamentos, de projetar desejos, de construir espaços para a imaginação. No esforço semântico de transpor o mundo concreto das edificações para o território impalpável dos sentidos, exploro a abstração e a geometria. Transfiguro a perspectiva, desprezo volumes, valorizo vazios. Procuro pausas, escuto silêncios.

Fotografia é linguagem. Mas, como Ítalo Calvino percebeu, “não há linguagem sem engano”.

Cultivo meus enganos. Para mim, edifícios são personas. Apresentam-se, contam histórias, fazem pose, conversam, desdenham, fingem. Primeiro os observo, distante, cerimonioso. De alguns me afasto. De outros, me aproximo. A esses, dirijo a palavra. Em resposta, recebo poemas.

​São poemas arredios. Para encontrá-los, muitas vezes dou voltas e percorro distâncias.

São poemas escorregadios. Construídos pelo sol, revelam-se fugazes. Nem sempre retornam.

São poemas políticos. No espaço público, mostram-se a todas as pessoas, sem distinção de qualquer natureza. Estão à disposição dos olhos de ver.

​Como todo poema, iludem. Com a câmera, busco traduzi-los e, assim, os traio. Nunca os mostro de corpo inteiro. Tornam-se explícitos demais. Prefiro espionar conversas entre eles e vasculhar frações dissimuladas nas entrelinhas de cada um. ​Se eles me enganam, com eles engano também.

 

​Photography is not a mirror of the world. It is an expression in itself.

Photographer and Architect, I photograph architecture in an attempt to draw thoughts, to project desires, to build spaces for the imagination. In a semantic effort to transpose the concrete world of buildings to the impalpable territory of the senses, I explore abstraction and geometry. I transfigure perspective, despise volumes, I value voids. I search for pauses, I hear silences.

​Photography is language. But, as Ítalo Calvino quoted, “there is no language without deceit”.

I cultivate my deceptions. For me, buildings are personas. They introduce themselves, tell stories, pose, talk, disdain, pretend. First I watch them, distant, ceremonious. I move away from some. Some others I approach and address them. In response, I receive poems.

They are elusive poems. To find them, I often go around and travel distances.

They are slippery poems. Built by the sun, they prove to be fleeting. They don't always return.

They are political poems. In the public space, they show themselves to all people, without distinction of any kind. They are available to the eyes to see.

​Like any poem, they are deceiving. With the camera, I try to translate them and thus betray them. I never show them in full body. They become too explicit. I prefer to spy on conversations between them and search for hidden fractions between the lines of each one. ​If they mistake me, with them I also deceive.

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